Não deixa de ser ingrato esta obra surgir praticamente na mesma altura de O Milagre do Rio Hudson, de Clint Eastwood, filme que repensa o lugar do herói americano nos dias de hoje. Aqui, os sobreviventes de uma base petrolífera americana no Golfo do México tornam-se heróis por conseguirem sobreviver entre explosões e fugas em embarcações de emergência. Não só não têm um heroísmo visível, como o realizador Peter Berg não sabe o que fazer com essa dimensão de "pessoas normais em situação anormal". Além de não haver uma única ideia de cinema na interminável hora que dura a explosão, as personagens não estão lá, são apenas corpos em fuga e em dor. Uma dor que tem tendência a pedir "slow-motion" em excesso. Poder-se-á pensar em "survivor-porn", um subgénero que Berg começou a explorar em O Sobrevivente, o seu filme anterior. Outra das propostas do filme era conseguir colocar o espetador dentro da explosão, fazer sentir as chamas e o sufoco do fogo. Não, não há aqui sensação alguma. Às duas por três nem sabemos o que está a acontecer. A câmara histérica anda de um lado para o outro e a montagem rápida deixa-nos perdidos (DN-Lisboa)
Sem comentários:
Enviar um comentário