O socialista Augusto Santos Silva foi afastado do comentário político
que mantinha na TVI desde Janeiro de 2012. Foi o próprio que informou, na sua
conta no Facebook, o afastamento da estação de Queluz, numa altura em que
prepara a apresentação de um livro que tem por base o programa em co-autoria
com o jornalista Paulo Magalhães. As críticas públicas que Augusto Santos Silva tem feito às frequentes
alterações de horário e até cancelamento da rubrica que habitualmente devia ir
para o ar às terça-feiras na TVI24, no programa Política Mesmo, estão na base
do afastamento do ex-ministro de Guterres e Sócrates, apurou o PÚBLICO. A
decisão foi tomada pelo director de informação Sérgio Figueiredo, com quem o
PÚBLICO ainda não conseguiu falar. Mas Augusto Santos Silva diz ainda não conhecer os motivos da decisão,
de que foi informado por carta na segunda-feira ao fim da tarde, fundamentada
unicamente na cláusula de rescisão unilateral com antecedência de 30 dias
constante no contrato. "Fui afastado por decisão da TVI, compete a quem
afastou explicar os motivos", afirmou ao PÚBLICO.
Os horários d'Os Porquês da Política começaram a ser alterados quando a
TVI ganhou os direitos de transmissão da Liga dos Campeões, e voltaram agora a
ser alvo de mudanças este mês por causa dos jogos da Copa América. Santos Silva
não gostava destas alterações e disse-o várias vezes publicamente na sua página
no Facebook. Ao PÚBLICO, o antigo ministro dos Assuntos Parlamentares afirmou
compreender as oscilações em função dos jogos de futebol: "Percebo o que
isso significa em matéria de audiências. Mas compreendo menos que as oscilações
fossem tão variáveis e, às vezes, para o dia seguinte." E ainda menos
entende o que diz ter acontecido há 15 dias, quando "o horário do programa
foi mudado mesmo sem haver desporto". Ao longo do dia 17 de Junho, segundo
o comentador, "o programa existiu, deixou de existir e voltou a existir,
tudo no mesmo dia". No dia seguinte, o também antigo ministro da Educação,
da Cultura e da Defesa escrevia na rede social um post com cinco conjecturas
para as alterações. Numa delas dizia: "A TVI já estará farta de
comentadores inscritos em partidos políticos e, como já lá tem fartura que
chegue de inscritos no PSD, não precisa de um inscrito no PS." Ao PÚBLICO,
afirmou nesta terça-feira que ainda não sabe qual das cinco hipóteses é
verdadeira, mas ironiza ao dizer-se inclinado para a primeira: "Porque
sim." Isto porque o director da TVI24 lhe agradeceu a colaboração prestada
nestes três anos e meio, por ter trazido "prestígio e notoriedade" à
estação. "Imagine que não tinha trazido: talvez fosse mandado para o Daesh
para alguma decapitação", acrescenta, no mesmo tom. A TVI evoca uma cláusula no contrato com Santos Silva que permite o
cancelamento da rubrica televisiva por qualquer das partes desde que informe a
outra com 30 dias de antecedência, pelo que o programa irá para o ar até 28 de
Julho (texto da jornalista do Publico, Leonete Botelho, com a devida vénia)
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